Aneel pretende regulamentar medição eletrônica no Brasil ainda em 2009

postado em 28 de mar de 2009 13:04 por Dantas Lins Associados   [ 28 de nov de 2009 12:07 atualizado‎(s)‎ ]

São Paulo, 03 de Setembro de 2009 - 18:25

Pela atual proposta de resolução, medidores eletromecânicos terão que ser substituídos em 10 anos

Por Milton Leal

Anderson Baldime

Após aprovar a regulamentação da tecnologia PLC (Power Line Communications), que possibilitará a utilização da rede elétrica para transmissão de dados, voz e imagem e acesso à Internet em alta velocidade, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem como meta estabelecer ainda este ano as regras para a implantação da medição eletrônica no Brasil.

Segundo informou à reportagem do Jornal da Energia o assessor da Superintendência de Regulação dos Serviços de Distribuição (SRD) da agência, Carlos Mattar, a expectativa é que até 22 de dezembro seja aprovada a resolução que conterá as funcionalidades e características dos medidores eletrônicos que passarão a ser utilizados compulsoriamente nas novas ligações ou na substituição dos equipamentos eletromecânicos.

Mattar revela que, no próximo dia 16 de setembro, uma proposta será encaminhada às áreas técnicas da Aneel para que elas façam suas contribuições. O próximo passo, então, seria submeter a minuta à diretoria da Aneel que apreciaria a matéria e abriria audiência pública sobre o tema para depois votá-lo na última reunião do ano.

Dentre os principais pontos desta proposta de resolução está o prazo para a substituição dos 63 milhões de medidores eletromecânicos existentes no País. Pelo atual texto, esse processo se daria em um prazo de 10 anos. “Acreditamos que seja possível substituir 10% ao ano”, diz Mattar.

Para o consultor da ECOee e presidente do Fórum Latino-americano de Smart Grids, Cyro Boccuzzi, é desnecessário estabelecer um prazo para a troca dos medidores. Ele argumenta que, se a nova estrutura tarifária adotada for benéfica para os consumidores, esse período será reduzido automaticamente. “Existe uma macrotendência inevitável. Isso vai chegar num ponto como chegou o telefone celular. Os medidores vão ter um custo tão baixo, que os consumidores vão querer comprar”, opina.

O custo de implantação destes equipamentos está na casa dos R$200 por unidade, o que somaria aportes da ordem de R$12 bilhões que serão feitos pelas distribuidoras e repassados aos consumidores. O especialista da Aneel, contudo, afirma que o impacto tarifário não ultrapassará 1% e que ao longo do tempo o usuário se beneficiará com a redução das tarifas. “Ainda não conseguimos mensurar quanto será revertido para o consumidor, pois isso ainda vai depender da estrutura tarifária que será adotada".

A Aneel ainda discute quais serão as especificidades dos equipamentos. Mattar adianta que, em suma, eles deverão fazer a medição de três grandezas elétricas: tensão, corrente e defasagem entre tensão e corrente. “A partir disso, pode se processar todas as grandezas, como energia ativa e reativa, demanda ativa, reativa e aparente, fator de potência, interrupção, tensão, etc”. Ele também afirma que o medidor deverá vir associado a um processador e um relógio.

A taxa de depreciação dos medidores, que hoje está em 25 anos, deverá ser reduzida para 10 anos. Mattar sustenta que o objetivo é promover a permanente atualização do parque de medidores brasileiro.

Segundo ele, o intuito da agência reguladora com a regulamentação das redes inteligentes é dar possibilidade às distribuidoras de desenvolverem as redes inteligentes no Brasil e associá-las à nova estrutura tarifária que está sendo discutida por um grupo de trabalho do órgão. “Com a viabilização das wise grids, abrimos duas possibilidades, que é a de estabelecer novas estruturas tarifárias e também a de monitorar a qualidade das redes”, explica.

Nova estrutura tarifária
O efetivo sucesso das redes inteligentes no Brasil e o aproveitamento máximo dos seus benefícios vai depender da nova estrutura tarifária que está sendo estudada pela Aneel e que será aplicada no terceiro ciclo de revisão tarifária, que começa em abril de 2011 com o processo da distribuidora cearense Coelce.

Em resumo, esta nova metodologia pretende viabilizar a tarifação da energia elétrica de acordo com o horário que o consumidor a está utilizando. Com isso, por exemplo, o usuário que ligar a máquina de lavar no horário de ponta (18h às 21h) pagaria mais pela energia que aquele que a usar durante a madrugada.

Nesta quinta-feira (03/09), a agência reguladora colocou em consulta pública a primeira das cinco partes do estudo sobre o tema que vem sendo desenvolvido. A intenção é colher subsídios para o aperfeiçoamento da proposta. Clique aqui para ver.

O assessor da SRD, Carlos Mattar, explica que quando implantada, será possível avaliar da melhor forma possível o uso da energia elétrica e com isso reduzir as tarifas.

A definição da nova estrutura de tarifas pode impactar a indústria de medidores eletrônicos. Segundo o gerente comercial da fabricante Landys+Gir, Ronaldo Paiva, a estrutura vai determinar as funcionalidades do medidor exigido pela regulamentação, que poderão ser diferentes daqueles existentes atualmente. De acordo com ele, para os consumidores residenciais, o produto mais avançado nesta área é capaz de medir seis tarifações diferentes.

A viabilização das smart grids vai proporcionar também um melhor monitoramento da rede. Mattar argumenta que a partir disso será possível fazer um planejamento mais adequado no sentido de adiar investimentos. “Quando se posterga esses investimentos, reduz-se a base de remuneração regulatória e evidentemente reduz-se a tarifa”, explica.

Fonte:http://www.jornaldaenergia.com.br/ler_noticia.php?id_noticia=1406&id_tipo=2&id_secao=12&id_pai=0&titulo_info=Aneel%20pretende%20regulamentar%20medi%E7%E3o%20eletr%F4nica%20no%20Bra
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